Have you ever seen the lights?

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“Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.” —Caio Fernando Abreu (via prosa-poesia)
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Aí você vem como quem não quer nada mas quer meu mundo inteiro logo no café da manhã. E eu fujo mesmo querendo ficar e me perder nos seus cabelos e nos seus olhos.

Eu digo que fujo, que não faz diferença, que assim que acabar vai passar, mas isso tá pior que inverno prolongado na vida de quem só sente frio: não passa.

Mais tarde eu vou culpar o tempo, nossas idades, você e sempre você, a política, o aquecimento global e até essa cidade tão cinza.

Pra me provovar, todos vão tocar as suas músicas, o taxista vai usar o seu perfume e meu vizinho vai comprar um carro igual ao seu. Só pra me provocar.

E eu pra te provocar vou pintar a unha de vermelho, fingir que não entendo as coisas e ser amiga de quem você não gosta. Mas você não vai ver nada disso.

Aí eu vou chorar, sair, beber, dançar a noite toda, beijar qualquer idiota, ter o mundo inteiro e ainda voltar pra casa mais vazia do que nunca. Mas você não vai ver nada disso.

Só não volta e não me pede nada e não liga de madrugada e não me faz chorar.

É pesado demais até pra mim que carrego o mundo com uma mão. E ninguém vai dividir o peso.

Mar 14, 2011
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